Alline Coelho

Como lidamos com o desconhecido

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Atenção: esse texto contém spoilers!

Hoje assisti Arrival pela segunda vez e decidi escrever sobre ele porque acho que a mensagem que o filme passa é muito importante para passar batida.

Pelo o que eu pude entender dessa história, a principal proposta dela é abordar a forma como, inicialmente, lidamos com o que é desconhecido para nós.

O filme faz isso com embasamento na teoria linguística conhecida como “A hipótese Sapir-Whorf”, que diz que a cultura de um povo é influenciada pela língua que falam.

Os símbolos que os visitantes do céu usam para se comunicar podem significar frases inteiras ou até mesmo sentimentos profundos em um único desenho. Eles também se comunicam através de visões do futuro, que são dadas à protagonista do filme com a intenção de fazê-la perceber e entender o que precisa ser feito no presente.

Mas essas formas complexas de comunicação dificultam muito o nosso entendimento.

Naturalmente já não somos um povo literal, somos cheios de intenções – e muitas vezes egoístas – por detrás de nossas palavras e sentimentos e por isso temos a tendência de esperar o mesmo dos outros.

A linguística nesse caso é o “pano de fundo” da história.

Sinto que o filme o tempo todo joga na nossa cara o quanto a maioria de nós é hostil com o que é desconhecido, principalmente os militares, que vivem em um meio que a única forma de comunicação que vivenciam é a violenta.

No menor sinal de risco somos violentos, mesmo quando não há nenhuma ameaça direta. Fazemos isso de forma quase instintiva, como selvagens, afinal, em nenhum momento os visitantes se mostram violentos e ainda assim a gente fica o tempo todo esperando por isso, cogitando isso.

Partimos sempre do princípio de que se podemos ser violentos, eles também podem, quando na verdade os visitantes do céu podem nem mesmo sequer pensar nessa possibilidade. A prova disso é quando os soldados explodem aquela bomba dentro da nave deles e em contrapartida eles apenas salvam dois seres humanos e sobem a nave pra uma altura mais segura pra eles, nada mais fazem. Continuam esperando que aprendamos a lição que eles querem nos ensinar.

No final do filme, descobrimos que o único objetivo da vinda deles é o de nos unir como um só povo. Porque se conseguirmos ser genuinamente pacíficos entre nós, certamente também seremos com eles. E eles usam do nosso desconhecimento da língua deles pra atingir esse objetivo, dando pra cada povo apenas trechos soltos do que eles querem nos dizer, de forma que o único caminho pra entender o todo, é unindo as partes. E pra unir as partes, a gente precisa confiar um no outro.

Escritores e diretores de ficção científica que fazem filmes como Avatar, Interestellar, Arrival e The Shape of Water, certamente são extraterrestres infiltrados que vieram com a missão de nos ajudar a absorver doses de Verdade para o nosso Grande Despertar da Consciência. É a única explicação para tamanha sensibilidade.

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